
Brrr…é a primeira reacção, com este frio. Mas quem nunca comeu um gelado em pleno Inverno e nem sequer põe essa hipótese, não sabe o que está a perder!
Quando eu era criança, a variedade de gelados era muito menor do que hoje em dia e a possibilidade de os comer, também não era muito grande. Era uma iguaria que se via mais no Verão e, para mim, por causa da minha bronquite e suas consequências, era quase o “fruto proibido”. Então, no Inverno, era impensável!
Mas como diz o provérbio popular, “o fruto proibido, é sempre o mais apetecido”, eu e o meu irmão, encarregávamo-nos de fazer os nossos próprios “gelados”, à revelia da nossa mãe, é claro.
Como lá em casa, havia sempre pacotinhos de refresco Royal de vários sabores, quando a nossa mãe estava fora em trabalho, eu e o meu irmão, fazíamos os refrescos, congelávamos e tínhamos os nossos “gelados”! O meu irmão, quando acabava o “gelado” (o que acontecia antes da nossa mãe chegar a casa), comia gelo!
Era então que a nossa mãe chegava e deparava-se com dois filhos “doentes”, sem a fazer a mínima ideia porquê.
Eu, com tosse; o meu irmão, com dores de estômago. É claro que tínhamos que acabar por contar o que tínhamos feito, para a nossa mãe poder tratar-nos. E a nossa mãe, coitada, mais preocupada com a nossa saúde do que com a “asneira”, mal chegava a ralhar.
A maneira de “encarar” os gelados evoluiu bastante e hoje em dia, para além de haver gelados de todas as variedades o ano inteiro, conheço profissionais da saúde que defendem que até pode fazer bem, quando se tem dores de garganta.
O gelado deixou de ser aquele alimento que se devia comer com cautela e, até passou a ser considerado um alimento saudável.
Aqui há uns anos, a OLÁ, que comemorou o seu 50º aniversário em 2009, acontecimento devidamente assinalado pelo nosso “Jornal dos Sabores”, quando começou a divulgar os seus gelados no Inverno, chegou a ter dois “slogans” muito engraçados: “Só se comem gelados por duas razões. Por tudo e por nada.” e “Com este tempo é absurdo comeres gelados. Em tronco nu.”
Os gelados evoluíram tanto que hoje em dia até os há com sabor a couratos, ou de vinho tinto (este último, conforme divulgado no nosso “Jornal dos Sabores” de 20/01/2010).
E, realmente tanto sabem bem de Verão, como de Inverno.
Eu mesma, gosto de ter sempre gelado em casa, o que por distracção na altura das últimas compras, não tem acontecido.
Há quem diga mesmo que, após uma refeição mais pesada, comer um (bom) gelado, é óptimo para ajudar a fazer a digestão.
E, agora, por falar em bons gelados, não posso deixar de “puxar a brasa à minha sardinha”.
Descobri que existe na Ericeira, uma casa de Gelados Artesanais (mesmo em frente ao Turismo), que apesar de ainda não ter tido a oportunidade de visitar, recomendo vivamente, porque também já me foi recomendada.
O Sr. Alves Figueiredo, com quem tive a oportunidade de trocar umas impressões por telefone, amavelmente, explicou-me que é ele quem faz os gelados (de todas as variedades que possam imaginar – só em montra, tem 20), há mais de trinta anos, com a melhor qualidade que também possam imaginar.
A matéria-prima utilizada, é preferencialmente de origem nacional mas, como nem sempre há no nosso mercado toda a que é necessária, vem também de Itália.
De Itália, para além da restante matéria-prima de muito boa qualidade, vêm muitos conhecimentos, com que este “Senhor dos Gelados”, conta incondicionalmente.
Venham provar que eu vou fazer o mesmo e o mais depressa possível!
Filomena Branco Gil