
Para atacar a crise que afecta a comercialização de vinho e azeite as cooperativas Agrícola e dos Olivicultores de Nelas pretendem avançar com um processo de fusão que garanta a subsistência económica dos produtores e da região.
Esta atitude, infelizmente inovadora sobretudo em estruturas cooperativas, é considerada inevitável pelos responsáveis das duas organizações instaladas em Nelas para quem é tempo de pensar nas linhas estratégicas para concretização desta união.
Apostadas em demonstrar ao Governo que precisam de apoios para levar por diante o projecto de uma futura fusão, os dirigentes convidaram o governador civil de Viseu a inteirar-se das suas intenções e projectos.
“Há mercados que dão para os dois produtos em conjunto e que justificam que se avance quanto antes para uma parceria. Uma parceria que de certa forma já existe, uma vez que partilhamos os mesmos associados e dirigentes. Veja-se o caso do presidente dos Olivicultores que é tesoureiro da adega”, justifica José Lemos, da direcção da Cooperativa Agrícola de Nelas (CAN).
Os últimos anos têm sido difíceis para as duas organizações. O problema comum do não escoamento dos produtos (há milhares de litros de vinho e de azeite em stock), gerou passivos avultados. Ao ponto de os produtores de vinho continuarem à espera de receber dinheiro em falta e de as dívidas no azeite ultrapassarem os 100 mil euros.
Afonso Loureiro, presidente da CAN, reconhece que há equipamentos de grandes dimensões, com custos elevados de manutenção e de pessoal, que podem ser rentabilizados num quadro de futura fusão institucional.
“É muito importante este esforço de convergência. As cooperativas são empresas e devem ter uma filosofia de gestão consentânea. A fusão tem vindo a ser adiada, embora haja apoios para esse efeito”, sustenta o representante do governo naquele distrito.