A Entidade Regional de Turismo do Alentejo promove uma semana gastronómica dedicada à culinária com carne de porco, um dos produtos mais tradicionais desta região. Cerca de uma centena de restaurantes aderiram à iniciativa colocando à disposição dos apreciadores um bom número de opções em 35 municípios.
A oferta gastronómica vai do mais tradicional até algumas boas propostas de modernização culinária que, respeitando as bases dos sabores regionais, são sempre bem-vindas, nem que seja para “experimentação”.
É de aplaudir o facto de muitos dos restaurantes participantes colocarem na sua oferta “Carne de Porco com Amêijoas” em substituição da Carne de Porco à Alentejana que, convenhamos, chega a ser uma designação “ridícula”.
Há coisas que não devem ser mantidas apenas porque “sim”. Esta é uma delas.
O Algarve tem a suas amêijoas com carne de porco. A utilização de carne proveniente do Alentejo levou a que lhe chamassem “Amêijoas com carne de porco alentejana”. Daí até à carne de porco “à” alentejana foi um passo…em falso.
Melhor seria que no Alentejo lhe chamassem, Carne de Porco Alentejano, com Amêijoas”.
O que está a ser difícil de alterar é essa “praga” do porco preto em tudo o que é suíno. A grande maioria das propostas nesta semana do porco sugere porco preto. Algumas (boas) excepções referem-se ao porco alentejano o que é de aplaudir.
Primeiro porque não é possível existir tanto porco preto, muito menos se estivermos a falar do genuíno porco preto criado no Alentejo. Que não é da “raça preto” porque essa, não existe.
Por outro lado, porco preto pode ser oriundo de qualquer parte do país ou mesmo de Espanha e ser até animal alimentado exclusivamente a farinha tornando-se, portanto, um produto absolutamente vulgar ainda que, eventualmente, de qualidade.
Ora como sabemos, o que se pretende passar para o cliente é que se trata de porco criado em extensivo ou seja, nos montados. Melhor ainda se garantirmos que se trata da raça alentejana.
Porque não, então, chamar-lhe (se realmente for o caso) “Porco preto de raça alentejana”. Ou, se quisermos simplificar, “Porco preto alentejano”.
Aí sim, estaremos a chamar os bois pelos nomes. Ou melhor, os porcos pelos nomes.
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